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Entre os dias 24 e 27 de novembro aconteceu em Tiradentes, Minas Gerais, a primeira edição do Fórum do Amanhã, com debates de grandes temas de interesse do país
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Pé na Escola no Fórum do Amanhã

Pé na Escola no Fórum do Amanhã

Reunir inteligências dispostas a pensar um Brasil digno de ser sonhado.

 

Entre os dias 24 e 27 de novembro aconteceu em Tiradentes, Minas Gerais, a primeira edição do Fórum do Amanhã, com mesas de debate de grandes temas de interesse do país: o futuro sonhado da educação, das cidades, do trabalho, da energia, da economia, da tecnologia, da governaça.

O Pé na Escola foi chamado para atuar nesse evento com um objetivo bem especial: reunir 15 jovens de até 25 anos, com destaque em diversas áreas como tecnologia, ativismo social, artes, sustentabilidade e empreendedorismo, representativos da diversidade de pessoas e questões brasileiras, para participarem como convidados do Fórum do Amanhã, acompanhando sua jornada pedagógica e estimulando sua participação, intervenção lúdica, envolvimento e produção de registros.

A escolha dos jovens convidados como participantes do Fórum do Amanhã teve como critério a diversidade de perfis, de temas em que os jovens se destacam e de regiões do Brasil, contando com participantes como Ysani Kalapalo, ativista dos direitos dos povos indígenas do Xingu e influenciadora digital, Bruno Cesar, artista plástico de 19 anos, colecionador de arte sacra e tenor na orquestra sinfônica de Tiradentes, Daniely Moraes, paulistana, estagiária na empresa de tecnologia Geekie, que atua na área da educação, Leticia Gomes, secundarista de Belo Horizonte, ativista do direito à educação, Monique Evelle, baiana de 22 anos, jornalista e empreendedora, criadora do Desabafo Social, da Kumasi e de outros projetos de empoderamento negro com visibilidade em todo o Brasil.

A cerimônia de abertura do Fórum do Amanhã contou com jantar de confraternização e palestras de Eduardo Giannetti e Domenico de Masi.

Já no segundo dia, o grupo almoçou com a especialista em educação Anna Penido, do Instituto Inspirare, e, após o almoço, todos se reuniram numa praça da cidade, onde puderam conversar com Anna de maneira intimista sobre a própria educação, a educação brasileira e seu futuro.

De volta à sala dos pensadores, onde aconteciam boa parte dos debates do evento, numa discussão sobre economia compartilhada, a jovem Monique Evelle fez uma fala contundente sobre a importância de se considerar as questões trabalhistas e raciais nas novas formas de trabalho e sobre sua experiência como empreendedora social.

Em seguida, todos os jovens acompanharam um fértil debate sobre o futuro da educação, com a própria Anna Penido, além de Miguel Thompson, do Instituto Singularidades, e Priscila Cruz, do Todos pela Educação, na composição da mesa. A partir da sugestão de alguns dos jovens, este debate aconteceu na parte externa da Pousada onde aconteciam os encontros.

Nessa discussão, Letícia Gomes compartilhou sua experiência no movimento secundarista de Belo Horizonte pela defesa da educação, e outra jovem de Belo Horizonte, Pollyanne Gonçalves, leu um poema sobre o tempo na educação, causando emoção entre todos os que assistiam ao debate.

Em seguida, o tema foi o futuro da comunicação, e a jovem indígena Ysani Kalapalo compôs a mesa, fazendo uma fala emocionante sobre a utilização de mídias sociais na defesa dos direitos dos povos indígenas.

Já durante a tarde, houve uma inspiradora conversa sobre culturas e raízes brasileiras, e mais uma vez com uma das jovens convidadas no centro da mesa:  Ayana Odara falou sobre suas raizes afrobrasileiras, e da importância da educação na valorização dessas raízes. Em seguida, houve um debate sobre meio ambiente, no qual o jovem de Recife Ítalo Leal teve papel protagonista.

Ao longo desse dia, principalmente ao final da mesa sobre meio ambiente, os jovens se reuniram e criaram sua fala final para o Fórum do Amanhã. A regra era a da liberdade: deviam escolher o que dizer de seus sonhos para o amanhã do Brasil, a partir de suas experiências vividas no Fórum, e, além disso, deveriam decidir sobre como dizer isso. Fariam um discurso coletivamente e escolheriam alguém para dizê-lo? Diriam algo em conjunto? Fariam algum tipo de manifestação artística?

Surpreendendo todas as expectativas, a opção do grupo foi por uma apresentação coletiva, com a participação de todos, que se espalharam pela Sala dos Pensadores e, literalmente, ocuparam todo o espaço. Começou com um jogral inspirado nos saraus da periferia paulistana em que se falou sobre resistência, passou pela leitura, pela jovem Sabrina Coutinho, de uma carta do que haviam aprendido no Fórum do Amanhã, valorizando a importância da diversidade e do protagonismo juvenil na construção do futuro.

Victória Pandolfi leu um poema que havia escrito aquele dia mesmo. Todos os jovens falaram em voz alta seus sonhos, como o direito a uma educação de qualidade, a não sofrer com a homofobia, contra o racismo, contra a violência urbana causada pela guerra às drogas, pela valorização de diferentes culturas e dos direitos dos povos indígenas. Tudo criado sem qualquer tipo de orientação quanto a quais temas abordar ou em que sentido se posicionar. A apresentação foi recebida com emoção e entusiasmo pela plateia, que aplaudiu de pé.

Ainda neste dia, mais tarde, ao chegarem na pousada, os jovens encontraram a exposição de arte sacra do jovem artista de Tiradentes Bruno Cesar, organizada na área comum da hospedagem. Bruno Cesar compartilhou suas histórias da cidade de Tiradentes e sua paixão pela arte barroca, e todos terminaram o dia com muita pizza e descontração.

 

Nos debates no Fórum do Amanhã, passado, presente e futuro revelaram suas tensões.

 

No domingo, por fim, as atividades oficiais do Fórum do Amanhã já haviam sido encerradas, muitos se organizavam para voltar às suas cidades. No café da manhã, houve o encontro dos jovens com Domenico de Masi, Ricardo Abramovay, outros pensadores e a equipe do Fórum do Amanhã, que encontraram os jovens numa atmosfera intimista e acolhedora e, por algumas horas, trocaram impressões sobre o Fórum do Amanhã, inclusive fazendo sugestões para uma futura edição.

Muitos dos jovens se propuseram a colaborar para as mudanças que sugeriram, sobretudo voltadas à participação de mais pessoas nas atividades do evento.

Em seguida, todos puderam conferir a apresentação da orquestra da cidade, que parecia simbolizar uma espécie de síntese dos aprendizados obtidos ao longo do percurso do Fórum, que indicavam para a importância de se compor diferentes acordes para a criação de um futuro mais bonito e harmônico.

Nos debates no Fórum do Amanhã, passado, presente e futuro revelaram suas tensões. Os jovens mostraram sobretudo que não é possível pensar o futuro do Brasil sem atenção ao que acontece no presente, especialmente com nossa juventude mais negra e periférica e com os povos indígenas do interior do Brasil. Mas é possível e necessário sonhar um futuro do Brasil mais inclusivo, polifônico e belo, por meio da valorização de nossas raízes e da potencialidade do novo encarnado por uma juventude entusiasmada, atenta e criativa!

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