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E se a empatia for nosso legado olímpico?

E se a empatia for nosso legado olímpico?

Durante as olimpíadas muito se comentou sobre o comportamento da torcida brasileira, que não aceitava o papel de mero coadjuvante e se esforçava para ter seu protagonismo, apoiando atletas e equipe, como estamos acostumados a fazer no futebol. Foram inúmeras demonstrações do quanto o brasileiro se envolve emocionalmente durante as competições, ajudando a criar uma atmosfera contagiante.

Ao escolher torcer para um atleta ou um time, acabamos nos projetando naqueles que deveriam nos representar e, então, é melhor que eles correspondam a todas nossas expectativas.


Empatia é o ato de se colocar no lugar da outra pessoa, de sentir o que ela deve estar experimentando naquele momento


É fácil nos reconhecer em exemplos vitoriosos ou de superação. Mas o que fazer naqueles casos em que os nossos supostos representantes não vão tão bem, cometem uma falta boba que leva a uma eliminação, caem de bunda na apresentação e deixam escapar a provável medalha? Com a Olimpíada somos obrigados a lidar com esses sentimentos de frustração repetidas vezes, o que torna essencial a prática da empatia.

Empatia é o ato de se colocar no lugar da outra pessoa, de sentir o que ela deve estar experimentando naquele momento. Trata-se de uma habilidade socioemocional que deve ser incentivada nos espaços educativos para o desenvolvimento de uma qualidade essencial para a vida em sociedade.

Ao longo desses jogos olímpicos tivemos diversos exemplos do quanto a falta de empatia pode ser prejudicial para o progresso de um atleta, ou pior, do quanto ela pode ser violenta. Comentários racistas contra a judoca Rafaela Silva, primeiro ouro do Brasil nessa Olimpíada, quase encerraram sua vitoriosa carreira.  Diego Hypólito também lembrou o quanto sofreu com as críticas após as suas quedas nas últimas olimpíadas, antes de trazer uma inédita medalha de prata na ginástica masculina. Joana Maranhão teve de encarar uma enxurrada de ataques machistas e homofóbicos após a sua eliminação na fase classificatória da natação. “Os humilhados foram exaltados”, celebrou o zagueiro Marquinhos logo após a conquista do inédito ouro olímpico com a seleção masculina de futebol.


O exercício da empatia nos convida a vestir o sapato, a sapatilha, o maiô do outro…


Críticas que, na maioria das vezes, são realizadas de maneira indireta, por redes sociais ou meios de comunicação, como se não fossem atingir de maneira direta os sentimentos e a autoestima da pessoa reprovada. Como se não fossemos responsáveis pelo mal-estar gerado naquele que é criticado, mas também naqueles que leem as mensagens de ódio, quase que de maneira involuntária, nos comentários dos grandes portais de notícia.

O exercício da empatia nos convida a vestir o sapato, a sapatilha, o maiô do outro para nos sentir no lugar dele antes de realizar qualquer crítica pessoal. Como seria ter seu desempenho avaliado por milhares de pessoas após anos de dedicação? Como seria receber críticas que nada se relacionam com a sua atividade profissional, mas estritamente com a sua cor, sexualidade, corpo, vida privada? Será que dessa vez entendemos que precisamos muito mais de incentivo ao esporte do que de pressão e ódio sobre os nossos atletas? Histórias como a de Rafaela Silva e Diego Hypólito são provas de que o erro também faz parte das histórias dos vencedores.

Os jogos olímpicos do Brasil escancararam que sentimentos decorrentes das vitórias e das derrotas são compartilhados de maneira igual entre diferentes povos. Que podemos sentir a mesma alegria com a vitória de uma atleta da Cidade de Deus ou da Marina da Glória. Que podemos nos emocionar com a derrota de alguém que não conhecemos, de um país que nunca ouvimos falar. Que podemos exercitar a empatia diariamente e esse pode ser nosso maior legado olímpico.

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