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Às voltas com o currículo…de novo!

Às voltas com o currículo…de novo!

Essa semana está aberta uma pesquisa de opinião no Portal e-Cidadania do Senado Federal sobre o projeto de Lei 193/2016, que pretende incluir  o “Programa Escola sem Partido” nas diretrizes e bases da educação nacional. Dentre as medidas propostas pelo “Escola sem Partido” está a imposição de restrições ao currículo de escolas públicas e privadas quanto à presença de temas ou abordagens considerados incompatíveis com as convicções morais e religiosas dos pais.

 

Questões como essas não são propriamente novidade na Educação brasileira. O currículo, ou seja, o conjunto de conteúdos e práticas organizados no tempo e espaço escolar, é um campo de longas e antigas disputas no Brasil. Por que? Porque a educação é estratégica para a cultura política e social de um país. Porque embates ideológicos no campo da política ou do comportamento rapidamente migram pra escola. Basta lembrar que a Ditadura Militar integrou ao currículo nacional a tão falada Educação Moral e Cívica. Que a sociologia e a filosofia são matérias que apenas recentemente passaram a compor o currículo escolar, não sem protestos. Que a existência ou não de ensino religioso ainda é um tabu na nossa educação. E que, hoje, o debate sobre gênero, que tanto movimenta as ruas, tem sido objeto de disputas ferrenhas quanto à sua integração ou não à escola.

 

Normalmente, esses conflitos sobre o currículo da escola se intensificam em períodos de acirramento do clima político, como o que vivemos hoje.

 

Foram muitos momentos em nossa História em que o currículo esteve no centro de debates políticos e ideológicos, movimentando de especialistas em educação a líderes de igrejas, de universidades a partidos políticos. Lembramos, por exemplo, dos anos de 1932 e 1959, quando foram elaborados dois Manifestos por importantes intelectuais brasileiros, se posicionando quanto a mudanças que vinham ocorrendo ou precisavam ocorrer na Educação. Os Manifestos expressaram embates políticos, sociais e culturais importantes à época em que foram escritos. Normalmente, esses conflitos sobre o currículo da escola se intensificam em períodos de acirramento do clima político, como o que vivemos hoje. E é aí que nos vemos – de novo – às voltas com debates sobre o que professores e materiais didáticos devem ou podem falar.

 

Tá certo que em 2016 esse debate fica no mínimo mais complexo se considerarmos que: 1) a internet está aí pra mostrar que o acesso ao conhecimento vai muito além da casa e da escola – sempre foi além na verdade, mas a internet potencializa isso imensamente; e 2) a ideia que fazemos da escola, da sala de aula e do professor também está em profunda reconstrução e precisa compor esse velho dilema sobre o que a escola deve ou não abordar, sob o risco da própria educação escolar perder de vez o sentido e a conexão com a realidade, sobretudo dos alunos.

 

Mas, o fato é que, em educação, separar o velho e o novo não é tarefa fácil e, quando achamos que alguns desafios já ficaram pra trás, eles voltam na forma de um meme, de uma ação judicial ou de um projeto de Lei para intimidar professores.

 

Pensando nisso elaboramos um quiz, pra você tentar adivinhar de que ano são as frases escolhidas pro jogo abaixo. A ideia do jogo é destacar, de forma lúdica e simples, que disputas sobre doutrinação, liberdade de expressão e função da escola nos acompanham desde 1500. Depois conta pra gente quantas acertou e compartilhe com os amigos!
https://www.playbuzz.com/penaescola10/em-que-ano-foi-dita-essa-frase-avan-os-e-retrocessos-da-educa-o

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