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A política por trás da “antipolítica”

A política por trás da “antipolítica”

Completamos mais um ciclo eleitoral. E justamente porque a política está tão desacreditada é que temos o que comemorar. É importante afirmar as eleições e os votos e ouvir o que dizem as pessoas. Embora ela sempre esteja em todos os lugares, a cada dois anos nos encontramos mais diretamente com a política. E as eleições sempre nos trazem lições importantes.

O mundo hoje apresenta sintomas de rejeição ao sistema político ou à política, é difícil saber exatamente o que está em jogo. No Brasil e no mundo discursos que negam a política, de candidatos que se auto declaram “não-políticos” parecem ganhar força. Além disso, parece aumentar a cada eleição a quantidade dos votos em ninguém (brancos e nulos), as abstenções, e a incapacidade de aceitar a escolha do outro sem alegar ignorância alheia.

Mas este repúdio será contra a essência da política ou contra o sistema político como temos hoje? Qual o conteúdo político de votos brancos, nulos e abstenções? Qual a posição política de candidatos que se dizem não-políticos? O que significa, politicamente, questionar a validade do voto de pessoas adultas que pensam diferente de nós? O que representa, politicamente se abster do direito (ou da obrigação) de votar?

Há muitas dúvidas sobre o que está acontecendo, em termos políticos mesmo, no nosso mundo. Nesses tempos de incertezas, em que as coisas parecem não ser mais como eram antes, mas também não ser ainda como serão no futuro, é importante voltar à essência.

Podemos nos sentir tentados a dizer que “os políticos” são todos iguais, que somos melhores do que “eles” e, assim, nos livrar da culpa e da impotência diante desse mundo desalinhado. Afinal, pagamos impostos. Mas há um conteúdo extremamente político em um candidato a prefeito ou presidente que se diz não-político. E há muita política em escolher enfrentar, negar ou afirmar os mecanismos do nosso sistema político. Para nós do Pé na Escola, é sim importante questionar o sistema político – por exemplo o sistema de votos, os partidos políticos. Mas o sonho da Política, em sua essência, é uma esperança de que não dá pra abrir mão.

O sonho da política é a crença de que somos melhores juntos, porque nossas diferenças nos fortalecem. Para isso, precisamos resolver nossos conflitos dentro das regras do jogo na esfera pública, por meio do diálogo, com a mútua concessão de direitos, como alternativa à violência.

Para ir até a essência da política e recuperar sua dignidade é preciso uma postura ativa e atenta, muita paciência e diálogo. É preciso, também, não se eximir das responsabilidades: não existe voto, abstenção ou candidatura que não seja essencialmente política. Por isso que é importante falar de política também nas escolas. Porque é principalmente na escola que os jovens começam a entender o mundo que existe pra além de si e de seus círculos familiares e que suas escolhas impactam na vida de outros. Nossos desejos podem ser imediatistas e individuais, porém a Política é lenta, negociada, coletiva e, principalmente, tolerante.

Podemos reinventá-la, recuperar a sua essência. Mas não vamos desistir da Política, não.

Esperamos que a gestão dos novos prefeitos e que a próxima legislatura das Câmaras Municipais brasileiras ajudem as forças políticas do Brasil a passar por esses momentos de turbulência com velhos e novos sonhos e projetos. Que encontremos caminhos consistentes e criativos para os problemas de nosso sistema político e de nossa sociedade, por meio da Política.

Parabéns pra todos nós por mais essas eleições e mãos à obra!

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